Quantas mulheres no mundo já sofreram violência sexual? Quantas delas você conhece?

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O processo de criação do curta “Uma a cada cinco” foi destruidor, doeu muito. Para produzir o filme, colocamos para fora histórias de violência nossas e de tantas outras mulheres. Sofremos juntas.

E para ir mais fundo, buscamos dados, números que mostram a realidade devastadora que vivemos. Intuíamos que falávamos de todas e por todas, mas não imaginávamos que a cada 4 minutos uma mulher é estuprada no país e só uma em cada dez fala sobre isso.

Ainda dói, destrói toda vez que o assisto novamente, mas conforta saber que a discussão que ele trouxe libertou algumas das meninas ao mesmo tempo em que expôs suas histórias. Nem de longe ameniza a dor, nem de longe diminui os números monstruosos, mas talvez nos faça compartilhar o peso, em vez de carregar a violência sexual sozinha. Talvez.

CAPA FACE (1)

A primeira exibição do nosso doc foi no LabHacker, um lugar pra aprender e discutir política e tecnologia, no bairro Armênia, no centro de São Paulo. A sala lotou, com mais de 30 pessoas afim de olhar pra violência cotidiana que bloqueia as minas. O filme, de pouco mais de 10 minutos, rendeu mais de duas horas de conversa – difícil, mas necessária.

No começo do debate, poucas palavras, a digestão das pancadas mostradas na tela, olhares reflexivos e um pouco tristes. Pensando em esquentar a discussão, desenhamos até jogo pra rolar depois do filme e fazer a galera pensar e falar sobre violência contra a mulher.

A gente começava a puxar o material do jogo quando alguém começou a falar. Daí para frente o assunto não parou. Teve muita mina, mas também teve presença masculina respeitosa, aberta e sensível ao feminismo. O tema foi tão quente que ficou difícil fazer a galera parar depois de duas horas colocando suas experiências e necessidade de mudança. O debate parou ali, mas não na cabeça e no dia a dia de quem esteve ali.

O medo é grande, mas a necessidade de falar sobre a violência contra as minas é maior e não vamos mais nos calar. Resistimos porque não há nada mais forte e resistente que uma mulher: é assim que terminamos o curta e continuamos a discussão.

Camila Izidio


enoisO feminino feminista

A busca da mulher por espaço e liberdade pra ser o que quiser são pautas nesta seleção de filmes feita pela galera da Énois.

São 4 documentários e 1 ficção que falam do feminino no corpo – visto como acessível e alvo de violência – e na cabeça, onde a construção social sobre o que é ser mulher difere pra cada cor e classe social. Cinco produções que ajudarão a discutir o lugar do feminino na sociedade e a construir um espaço de minas mais empoderadas.

1. Uma a cada cinco (Dir.: Camila Izidio)
Documentário | 11 min | A cada 4 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Em 10 minutos, o curta produzido por um time de minas discute a violência contra as mulheres, que muitas vezes é vista como normal e, em alguma medida, como culpa das vítimas. Nesses 10 minutos dá para discutir como construímos no dia a dia, na mídia e no silêncio a cultura do estupro.
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2. Mucamas (Dir.: Nós, Madalenas)
Documentário | 16 min | O documentário conta a história da vida de mulheres que são ou já foram empregadas domésticas, escancarando suas lutas e desigualdades.
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 3. Girl Rising (Dir.: Richard E. Robbins)
Documentário | 101 min | É pra se empoderar! Esse documentário mostra a educação como um caminho de autonomia para meninas e uma arma que funciona mesmo e em diferentes países do mundo.
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4. The hunting ground (Dir.: Kirby Dick)
Documentário | 103 min | A educação sai de lugar de empoderamento para mais um alicerce da cultura da violência sexual quando universidades acobertam casos de estupro dentro das instituições. Isso é mostrado neste documentário que retrata grandes universidades do mundo, como Harvard, e que é também espelho do que acontece no Brasil. As meninas, consideradas culpadas, rompem o silêncio e se expõem pra discutir o assunto e cobrar mudança de postura e respeito.
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5. Cores e botas (Dir.: Juliana Vicente)
Ficção | 16 min | Uma menina negra tem um sonho: ser paquita – num mundo que não respeita sua cor e cultura. Uma ficção em curta-metragem pra discutir raça, representatividade e valorização da diversidade na construção do feminino.
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