Pede desculpa

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Com essa frase no título e no argumento, o curta “Desculpa”, produzido pelo Os Crespos, dá seu recado – ou seria um tapa?

A frase, repetida, forte e impactante. As imagens, duras, reais e causadoras de vergonha, incômodo. “Ele incomoda”, foi a frase que mais escutei de pessoas que assistiram.

Vivemos e convivemos com o racismo diariamente. Suportamos e lutamos diariamente também, não temos outra escolha.

A maioria da luta, dos textos, dos filmes em geral tratam o racismo como um problema institucional. E ele é! Mas também é importante tratar e lembrar o racismo de maneira individual, de maneira que o indivíduo que faz uma brincadeira, uma piada, um gesto racista enxergue o preconceito e também seja culpado.

PEDE DESCULPA!
E tenta lembrar quantas vezes você já reproduziu, mesmo sem pensar, atitudes racistas;
PEDE DESCULPA!
E tenta desconstruir o racismo que há tanto tempo é moldado e internalizado dentro de você;
PEDE DESCULPA!
E se responsabilize pelos seu atos racistas;
PEDE DESCULPA!

Mas só a desculpa não basta. Precisamos enxergar, desconstruir o preconceito, valorizar o negro, sua raiz e sua história e sentir o peso de ser uma sociedade que separa. Pedir desculpas é só o começo da difícil luta contra o racismo – em cada um e de todos.

Camila Izidio


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No dia 13 de maio de 1888 era assinada a Lei Áurea pela princesa Isabel. Lei que libertou sem libertar. Uma lei que trouxe novas formas de prisões.
A abolição legal da escravatura não garantiu condições reais de participação dos negros na sociedade brasileira, estruturando e mantendo desigualdades – de renda, de educação, de saúde, de segurança. Por isso, a data que deveria ser comemorada se tornou um dia de luta e de relembrar o racismo como algo que ainda precisa ser muito discutido e desconstruído.
Pra ajudar nisso, nós, da Énois, escolhemos 2 documentários, 2 longas de ficção e um curta sobre o racismo com diferentes abordagens e formatos. Cinco produções que ajudarão a discutir e a conscientizar sobre o racismo cotidiano que vivemos – ao longo da história e até hoje. Dá pra olhar a fundo pro racismo individual, estrutural, cultural e muitas crenças que o fortalecem. Boa discussão e desconstrução 😉

1. Desculpa (Dir.: Leandro Goddinho)
Ficção | 3 min | Pede desculpa! É com essa frase e com imagens fortes que o curta choca e causa incômodo para falar do racismo que está no dia a dia, embora ainda seja negado – e com isso, mantido.
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2. USP 7% (Dir.: Daniel Mello e Bruno Bocchini)
Documentário | 15 min | A maior universidade do país é racista. A partir de quatro relatos, esse documentário deixa isso claro por meio da luta contra o racismo que está na estrutura de uma instituição respeitada e que tem capacidade de lançar as bases para mudanças sociais. Passando por diferentes gerações e pontos de vista, o curta aborda a luta por cotas na universidade pública.
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3. Meu Guri, Além do castigo (Dir.: Bianca Santos e Gabriel Freires Arruda)
Documentário | 17 min | O encarceramento de jovens no Brasil está intimamente ligado com a questão da cor. Quem vai preso é preto, pobre e de favela, os dados e a realidade mostram isso. É com base nessa desigualdade que Meu Guri explora raça e violência e aborda a redução da maioridade penal e como isso impacta a sociedade brasileira e piora desigualdades.
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4. Histórias Cruzadas (Dir.: Tate Taylor)
Ficção | 146 min | Mississipi, anos 60. Aibileen é uma empregada negra que, junto com Skeeter (garota branca e escritora) e outras empregadas, escreve um livro sobre as histórias que essas mulheres viveram trabalhando para as famílias brancas. O filme aborda questões muito sensíveis, como a divisão social, a desvalorização da raça negra, um preconceito cego e mostra um pouco da dor daquelas mulheres.
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5. O Sol é para todos (Dir.: Robert Mulligan)
Ficção | 129 min | Na visão de duas crianças, o clássico O Sol é para todos conta a história de um jovem negro inocente que foi acusado de estuprar uma jovem branca. Só com essa descrição já dá pra ver que é forte. A história se passa no julgamento, mostrando de forma estrutural a relação do caso com a sociedade racista, que pelo preconceito deixa de ver as pessoas. Aí, só um advogado branco para tentar salvar o jovem.
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