Já pra rua!

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A luta é feita na rua, o documentário ‘Junho – O Mês Que Abalou o Brasil’ ilustra um pouco do começo da minha caminhada. Em junho de 2013 eu estava no ensino médio, não tinha contato com movimentos sociais. Eu lembro que, na época (e já antes, no ensino fundamental) sentia que existiam coisas erradas, mas não sabia explicar o que realmente eram. Só sentia um incômodo.

Até que, nessa época, com o começo das manifestações, uma colega me convidou pra conhecer os movimentos, ir aos atos. Pra mim, as lutas eram em vão. O negócio era estudar e trabalhar bastante e assim, talvez, aqueles incômodos que eu sentia fossem passar. Após muita insistência eu fui em alguns encontros e rodas de conversa. Nisso, a gente começa a ver as coisas como realmente são.

Mas quando eu entendi e me situei, antes de sentir força para lutar, veio uma tristeza danada por me sentir de mãos atadas, sem saber o que fazer pra mudar. Então tomei coragem e fui em alguns atos – ainda que morrendo de medo. Lembro da multidão, da tropa, correria, do vinagre, das palavras de ordem, do cordão humano de proteção que a gente fazia (tentava). E lembro que o quanto mais desesperada e acuada eu me sentia, mais vontade de ir pra rua surgia.

Acho que foi isso que junho de 2013 mostrou pra mim: que é na luta que nossa história é feita. E não na luta individual! Afinal, se todos nós pretos e pretas, mulheres, trabalhadores, periféricos, LGBTS, se todos nós sofremos opressão, então que todos nós lutemos juntos pra uma saída onde tenhamos liberdade.

Joyce Camila do Carmo


enoisOs protestos de junho de 2013 marcaram a nossa história. Como não poderia deixar de ser, foram também grande inspiração para produção audiovisual nacional. Hoje, três anos depois, o que esse momento histórico nos deixou de aprendizado? Como podemos entender a evolução da participação política das novas gerações a partir desses eventos?
Nós, da Énois, escolhemos cinco documentários com diferentes abordagens e formatos que nos ajudam a discutir e entender esse tema por diferentes pontos de vista. Bom debate :)

1. Junho – O mês que abalou o Brasil (Dir.: João Wainer)
Documentário | 72 min | O documentário trata das manifestações que tomaram o país em junho de 2013.  Com entrevistas de filósofos, cientistas políticos e ativistas, o filme mostra como diferentes inflexões ideológicas foram tomando corpo até terminar em uma grande mistura de reivindicações difusas, e analisa os reflexos que essas jornadas históricas tiveram no Brasil.
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2. As ruas e as redes estão conectadas! (Dir.: Adriano de Angelis)
Documentário | 6 min | O pequeno doc compila fragmentos das jornadas de junho e parte da cobertura midiática do período. As narrativas evidenciam mudanças reais nas relações políticas e sociais que surgem com a apropriação das tecnologias digitais de comunicação e seus usos para fins de ativismo e mobilização.
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3. Com uma câmera na mão e uma máscara de gás na cara (Dir.: Ravi Aymara)
Documentário | 26 min | Com imagens captadas durante as manifestações de junho de 2013 no Rio de Janeiro, apresentam-se personagens que dela participaram ativamente. Um fotógrafo, um ninja, um jornalista recém-formado, um repórter cinematográfico e um jovem cineasta compartilham suas opiniões sobre um momento particular da história recente do país.
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4. Com vandalismo (Dir.: Coletivo Nigéria Filmes)
Documentário | 72 min  | De maneira narrada, o documentário retrata quem estava na linha de frente das manifestações para mostrar as motivações dos atos de desobediência civil. Enquanto gritava “SEM VANDALISMO!” de um lado, manifestantes que ocuparam as ruas do Brasil eram tachados de “vândalos”, e criminalizados por parte da grande mídia.
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5. A partir de agora – As jornadas de junho no Brasil (Dir.: Carlos Pronzato)
Documentário | 129 min | A partir de entrevistas com manifestantes em cinco capitais, o diretor traça um panorama que nos ajuda a entender as jornadas de junho e também o pano de fundo que as apoia: a militância política.
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