A humanidade dos atletas

CONVIDADOjanainaA ideia de produzir um documentário sobre ex-atletas olímpicos era desmistificar a imagem comum de quase semideuses que muitas vezes temos deles. Atletas olímpicos são vistos como seres humanos de outra categoria, à qual o resto da população não pertence. Eles são imaginados como super-humanos. Isso faz com que as pessoas não esperem deles os defeitos e limitações que encontramos nas pessoas do nosso convívio diário.

Só que, na verdade, quando olhamos mais profundamente para cada indivíduo encontramos as mesmas dificuldades de qualquer um de nós ou outras maiores, já que eles são cobrados – e se cobram – por resultados cada vez melhores. É uma pressão psicológica que os leva ao limite do corpo, da mente e do controle de suas emoções.

Imagine então pensar que toda essa trajetória sobre humana tem fim? Parece tabu, mas foi onde chegamos no doc. O que resta quando a trajetória de atleta acaba? O que acontece quando eles se dão conta de que o corpo já não responde mais às expectativas?

Muitas vezes, ele não está alinhado com a mente, ainda focada na rotina intensa de atleta de alto rendimento e com as cobranças sobre si mesmo. A hora certa de parar – e encarar a humanidade – e o que fazer da vida pós-esporte pode ser tarefa ainda mais assustadora que as próprias competições.

Foram esses fios que puxamos nesse pequeno documentário. Um jeito de trazer pontos de vista pouco explorados e pensados no esporte e sobre o esporte, e ainda usar essa vivência para dar conselhos e enviar energia positiva aos atletas que participarão da olimpíada de 2016.

Janaína Pinto


Esporte na real: além da torcida e das histórias de superação

enoisOs jogos olímpicos estão chegando no Brasil e, junto com os sentimentos de torcida, superação e festa, trazem também a necessidade de olharmos de forma diversa e questionadora para o esporte.
O mundo dos jogos e grandes eventos é muito amplo. Tem tudo a ver com política, gênero, raça, espírito coletivo, união de uma nação e o papel de herói que os competidores ganham. Boa hora pra discutir, né?
Pensando nisso, construímos uma playlist de filmes que falam de esporte na real, com pontos de vistas e histórias para questionar e se posicionar. Não é para parar de torcer: o importante é ter informação e repensar.

1. Para sempre atleta olímpico (Dir.: Demetrio Zanini)
Documentário | 11 min | Nesse doc, esportistas que estiveram em olimpíadas narram suas histórias de vida no evento de consagração máxima de um atleta. Dedicação, suor e superação os levaram até esse momento, mas o tempo fez o momento passar. O que acontece com esses atletas depois?
Com base no que viveram, os pós-atletas olímpicos brasileiros dão conselhos aos jovens que participarão da Olimpíada do Rio 2016 não só para a competição, mas para a carreira que construirão após deixarem de ser atletas profissionais. Para pensar na superação, no orgulho e na importância de se construir para além do esporte.
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2. Democracia em preto e branco (Dir.: Pedro Asberg)
Documentário | 90 min | Sobre os chamados “anos de chumbo” e da “abertura política”, o documentário “Democracia em Preto e Branco” é situado no fim da década de 1970 e início da década de 1980, quando a ditadura militar no Brasil já mostrava estar cambaleando. Um filme fundamental, um prato cheio para discutir e pensar política, liberdade, democracia e, claro, futebol.
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3. Aida dos Santos – Uma mulher de garra (Dir.: André Pupo e Ricardo Quintela)
Documentário | 26 min | Há 50 anos, Aída dos Santos marcou história no atletismo nacional. Única mulher da delegação brasileira nas Olimpíadas de Tóquio, em 1964, sem nenhum apoio, treinador, tênis e até uniforme próprio, a carioca, na época com 27 anos de idade, entrou para a história conquistando o quarto lugar no salto em altura naquele ano. Esse pequeno documentário conta um pouco de sua história e discute o lugar da mulher, desigualdade e superação.
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4. Tapete Verde (Dir.: Angelo Martins)
Documentário | 15 min | Jovens incentivados pelos pais, inspirados por grandes craques, e uma menina que tenta quebrar os paradigmas machistas do esporte em busca do sonho de ser jogadora profissional de futebol. A partir da tradicional peneira e da rotina de uma das personagens, a obra traz a discussão sobre a desigualdade social como motor do sonho dos jovens, a força da hereditariedade nessa construção e o lugar das meninas no esporte, em busca do mesmo espaço, mas com desafios diferentes.
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5. Invictus (Dir.: Clint Eastwood)
Ficção | 72 min | Recém eleito presidente, Nelson Mandela (Morgan Freeman) tinha consciência de que a África do Sul continuava sendo um país racista e economicamente dividido, em decorrência do apartheid. A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi, pela primeira vez realizada no país, faz Mandela tentar usar o esporte para unir a população, incentivando Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da equipe sul-africana, a tornar a seleção nacional campeã. Uma super produção pra olhar o impacto do esporte para além da diversão e que os interesses ligados aos eventos.
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