Resistir para sobreviver

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Resistir para sobreviver.

Resistir para sob viver.

Resistir para só viver.

Resistir para viver.

O genocídio da população indígena é um fato. Desde 1500 é um fato.  Os indígenas estão sendo mortos ou deixados morrer. Aos poucos e aos montes. Estão sendo assassinados, morrendo de fome e desnutrição por não terem terra para plantar. Estão se suicidando.

No documentário ‘À sombra de um delírio verde’,  o massacre do povo Guarani é trazido à tona. Expulsos pelo contínuo processo de colonização e urbanização, os Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original.

No lugar suas terras, encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por empresas brasileiras e estrangeiras que, juntamente com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível do futuro, limpo e ecologicamente correto.

Nesse contexto, o suicídio de índios no Brasil chega a ser seis vezes maior do que a taxa nacional. Dados do Mapa da Violência, do Ministério da Saúde, mostram que, enquanto o índice geral no Brasil é de 5,3 suicídios por 100 mil habitantes, a incidência sobe para acima de 30 em alguns municípios com população indígena.

É comum ler, ver e ouvir notícias de “confronto” entre indígenas e fazendeiros/latifundiários/polícia. Não é confronto quando os poderes e as forças são completamente desproporcionais e o sangue de apenas um dos lados é derramado. O nome disso é genocídio e o documentário mostra isso de forma contundente e sem deixar dúvidas. Se dói em quem vê, imagina em quem morre.

Camila Izidio


enoisResistência indígena

“Queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje. Por isso, pedimos ao governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui”.

Dia 09 de agosto é o dia internacional dos povos indígenas. O trecho acima, da carta dos índios Guarani-Kaiowá denunciando a violação dos direitos dos índios, publicada em 2012, ainda explicita o momento que vivemos hoje. Infelizmente, não há motivo para comemorar. Mas há muita, muita luta sendo travada e a seleção de filmes que fizemos nessa playlist mostra um pouco da luta, da resistência e da cultura tão rica desses povos.

1. À sombra de um delírio verde (Dir.: An Baccaert, Cristiano Navarro, Nicola Muñoz)
Documentário | 29 min | Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe sobre os índios muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros.
Sem terra e sem floresta, os Guarani Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho.
Um documentário pra discutir o lugar dos índios na sociedade e como a negligência é responsável pela situação em que vivem – ou morrem.

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2. Xukuru Ororubá (Dir.: Marcilia Barros)
Documentário | 16 min | Imersos no mundo moderno, onde impera a política de exclusão, os Xukuru afirmam sua identidade. Eles reelaboram suas crenças e criam formas alternativas de organização social, mantendo vivo o sonho de Xikão Xukuru, líder que foi executado a tiros a mando de latifundiários da região. A força e a resistência do povo Xukuru são imensas, inspiradoras. O filme traz o debate de questões como o genocídio da população indígena, a resistência desses povos e como os interesses econômicos estão à frente dos direitos dos índios.

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3. A ditadura da especulação (Dir.: Zé Furtado)
Documentário | 13 min | O documentário é sobre as tentativas de impedir que as máquinas derrubassem a vegetação local para construção de edifícios do setor noroeste de Brasília, que retiraria dali um antigo santuário e a comunidade indígena que habita a área. Apesar de curto, o filme levanta muitas discussões complexas constantemente enfrentadas pelos índios, como a especulação imobiliária, o interesse econômico e o direito à terra com fronteiras demarcadas e respeitadas.

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4. Pajerama (Dir.: Leonardo Cadaval)
Animação | 09 min | Um indiozinho está na floresta quando, de repente, é pego de surpresa numa torrente de experiências estranhas, revelando mistérios de tempo e espaço. A animação traz discussões bastante sérias com linguagem simples, mostrando como a cidade vem invadindo lugares que eram de populações indígenas. Fica clara a invasão do homem branco na terra dos índios, por conta do que defendemos como progresso, além da falta de diálogo e de preocupação com o destino e com a cultura indígena. Vemos a necessidade de se preservar o que resta dos povos originários, antes que seja tarde.

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5. As hiper mulheres (Dir.: Carlos Fausto, Leonardo Sette, Takumã Kuikuro)
Documentário | 79 min | As Hiper Mulheres vivem na região do Xingu. Têm porte atlético e forte, mas não são as características físicas que fazem dessas índias Hiper Mulheres: é a sua lógica de comportamento sexual que não as submete à iniciativa dos homens. A discussão levantada por esse documentário é ampla, mas o ponto central pode ser entendido como o poder que essas mulheres têm dentro dessa cultura, as ricas tradições desse povo e como o machismo é cultural.

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