Cidade para todos

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De acordo com o último relatório da ONU, a população mundial, hoje de 7,2 bilhões de habitantes, deve ultrapassar os 11,2 bilhões até o final do século. No ano de 2008, pela primeira vez na história da humanidade, a população urbana superou a população rural, ultrapassando 3,1 bilhões de pessoas e deve duplicar até 2050. As altas taxas de urbanização em todo o planeta somadas ao rápido crescimento populacional implicam em inúmeros impactos ambientais, problemas sociais e de abastecimento (de energia, água, alimentos, etc.) e, claro, problemas relacionados a mobilidade.

Uma questão crucial nas grandes regiões urbanas com população superior a 10 milhões de habitantes, as chamadas megacidades, é o deslocamento de pessoas e, portanto, a relação entre a oferta e demanda por transporte. Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), com cerca de 19 milhões de habitantes, o transporte é feito basicamente por 18000 ônibus metropolitanos, um sistema de trens e metrô extremamente limitado e uma frota superior a 7 milhões de veículos. A péssima qualidade dos serviços públicos de transporte e os altos valores das tarifas são a temática central do documentário “20 centavos” (Thiago Tambelli, 2014), que retrata a inquietação social e política deflagrada pela luta contra o aumento das tarifas em 2013.

Segundo relatório da OMS, em 2012 cerca de 7 milhões de pessoas morreram por doenças causadas pela poluição do ar. Apenas na RMSP, a poluição do ar é responsável por 7500 mortes prematuras. A conclusão é que, além de perder horas no transporte público, além de ter retirado o direito de acesso a cidade, além dos diversos problemas respiratórios, a população está morrendo em decorrência dos problemas de mobilidade urbana.     

Soluções de mobilidade urbana exigem a melhoria dos sistemas de transporte coletivo como a implementação de mais faixas exclusivas de ônibus, a ampliação dos sistemas de trem e metrô e a redução das tarifas pagas pela população. A implementação, investimento e incentivo em transportes alternativos, como o uso de bicicletas é também um caminho necessário e possível, como mostra o documentário “Ciclo Urbano” (Edna Akemi, Gabriel Goulart, Ko Ryh Sheng, Raphael Gomes, Tabata Franco e Washington Assis, 2014). Mas todas essas soluções exigem principalmente a ressignificação das cidades, que devem ser pensadas mais para as pessoas e menos para os carros, mais para a convivência e menos para o lucro.

Djacinto Santos

Você a cidade

enoisEstamos prestes a encarar mais uma eleição municipal. Vamos, de novo, eleger aqueles que nos representam na esfera mais próxima: prefeito e vereadores. Precisamos discutir a cidade que queremos viver. E mais, precisamos falar sobre mobilidade. Quem tem direito a cidade? Cidade para convivência ou pra gerar lucro? Cidade para pessoas ou para carros? E o meio ambiente, quem pensa? Qual a nossa relação com os caminhos que fazemos? Por isso, escolhemos uma série de filmes que trazem diferentes olhares que irão ajudar a esquentar esse debate. Boa sessão :)

1. Ciclo Urbano (Dir.: Edna Akemi, Gabriel Goulart, Ko Ryh Sheng, Raphael Gomes, Tabata Franco e Washington Assis.)
Documentário | 15 min | São muitas horas de vida e de trabalho perdidas nos engarrafamentos constantes e prolongados. Aí, você vê um ciclista, vê uma bike (veículo não motorizado movido a propulsão humana sobre duas rodas) e pensa: É a solução! Não!?! Talvez. A proposta do curta doc. “Ciclo Urbano” é tentar abordar as alegrias e os desafios do ato de pedalar na cidade de São Paulo.ciclo-urbanoplay

2. Mobilidade Urbana e Direito à Cidade – O Tempo (Dir.: Favelarte RJ)
Documentário | 4 min | De acordo com uma recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mais de 24% dos brasileiros demoram mais de 1 hora para chegar ao trabalho e outra para voltar. Segundo o censo de 2010 dos 55,1 milhões moradores de cidades que trabalhavam fora de casa, 6,6 milhões passavam até cinco minutos no trânsito, 28,5 milhões gastavam de seis a 30 minutos no deslocamento e 1 milhão de pessoas passavam mais de duas horas.

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3. Se essa rua, se essa rua (Dir.: Paula Vanina Cencig)
Animação | 03 min | “Se essa rua, se essa rua” é um curta-metragem em animação que aborda de maneira poética a questão da mobilidade urbana e a necessidade da consciência ambiental no planeta. Uma moça, que poderia ser qualquer um de nós, insatisfeita com sua forma de estar na cidade, decide tomar uma atitude para mudar seu dia-a-dia.

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4. Caminhando com Tim Tim (Dir.: Genifer Gerhardt)
Documentário | 4 min | Sobre caminhos, caminhares e destinos: “que o chegar não é mais valioso que a andança; que o encontro é precioso”. Qual a nossa relação com os caminhos que fazemos? O andar na rua te traz quais sensações? Tim Tim nos mostra sua visão e nos faz lembrar como é gostoso sentir e viver os espaços que percorremos a pé, observando e aproveitando cada detalhe, cada aventura.

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5. Showing the future today (Dir.: Daniel Huhn e Theresa Zimmermann)
Documentário | 11 min | Filme inglês, sem legenda | Num bairro de Suwon City, na Coreia, os carros foram proibidos de circular por um mês, em 2013. A população percebeu os benefícios e o sucesso do evento acabou gerando ações definitivas como proibir autos em certas vias.

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