Massacre “legitimado”

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1920, o início. 1992, o massacre. 2013 à 2014, o julgamento. 2016, anulação do julgamento dos assassinos. Hoje, a revolta da injustiça.

O presídio do Carandiru, mais formalmente conhecido como Casa de detenção de São Paulo, foi inaugurado em 1920. Já chegou a abrigar mais de 8 mil presos (sua capacidade foi projetada para 3250 detentos), sendo considerado o maior presídio de toda américa latina. Foi desativado e parcialmente demolido em 2002.

É sangrenta a história do pavilhão 9, onde eram abrigados os chamados réus primários, que não tinham passagem pela polícia ou que ainda aguardavam julgamento. No dia 02 de outubro de 1992, durante uma rebelião no pavilhão, a polícia militar de São Paulo entrou, matou e saiu pela porta da frente. 111 assassinados. No documentário Sobreviventes – A história depois do Carandiru (Dir.: Ana Letícia de Azevedo Gonçalves, Juliana Pereira Miranda Duarte, Larissa Dias de Souza, Marcela Munhoz Teixeira da Silva e Mayra Cioffi Ayres) três homens que sobreviveram ao massacre contam um pouco da história vivida por eles.

Entre 2013 e 2014, mais de 20 anos depois, os 74 policiais foram a julgamento. Julgados. Condenados. Penas que variavam de 96 à 624 anos para cada policial. Penas que somadas chegam a 20876 anos. Penas.

No dia 27 de setembro de 2016, o Tribunal ANULOU os julgamentos que condenavam policiais pelo massacre. ANULOU. APAGOU. ACABOU.  O relator do caso, Ivan Sartori, votou para que os policiais fossem inocentados. Os advogados de defesa podem recorrer da decisão, mas a injustiça legitimada pela justiça de São Paulo está lá, nesse momento corroendo e revoltando.

Os presos eram e continuam sendo ainda hoje: pretos e pobres.

A justiça que condenou esses 111 homens assassinados é a mesma que absolveu os 74 policiais? A justiça não é cega e nem imparcial, ela tem cor e classe social muito bem definidas.

Camila Izídio

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O Massacre
enoisMais de 20 anos depois do massacre do Carandiru, onde 111 presos foram assassinados, no dia 27 de setembro de 2016 o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou os julgamentos dos 74 policiais militares condenados. No dia 2 de outubro de 1992 aconteceu uma chacina no que foi considerada a maior cadeia da américa latina, o presídio localizado na zona norte de São Paulo – Carandiru. Hoje demolido, só restaram lembranças, provas e a certeza da injustiça para contar essa história.  Selecionamos 5 filmes para você conhecer melhor o assunto:

1 ) Sobreviventes – A história depois do Carandiru (Dir.: Ana Letícia de Azevedo Gonçalves, Juliana Pereira Miranda Duarte, Larissa Dias de Souza, Marcela Munhoz Teixeira da Silva e Mayra Cioffi Ayres)
Documentário | 28 min | O documentário retrata como os sobreviventes passaram pela rebelião e de que forma o episódio refletiu (e ainda reflete) da vida pessoal e profissional deles. A questão da reinserção social de ex-detentos brasileiros é discutida com uma psicóloga forense, um advogado criminalista e o presidente dos direitos humanos da OAB. O trabalho é um Projeto Experimental do curso de Jornalismo da PUC Campinas, produzido por cinco alunas formandas.

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2 ) Deus e o Diabo em Cima da Muralha (Dir.: Tocha Alves e Daniel Lieff)
Documentário | 50 min | Drauzio Varella e outros funcionários que se revezavam para controlar os cerca de 10 mil presos do Carandiru contam histórias e segredos no ano em que o maior presídio da América Latina foi demolido.

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3 ) Xadrez (Dir.:  Ricardo Koraicho.)
Documentário | 11 min | Filme todo captado em Super 8mm, mostra uma intervenção feita por skatistas dentro do presídio do Carandiru. Mistura imagens antes da sua demolição com um cenário construído hoje.

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4)Sem Pena (Dir. Eugênio Puppo)
Documentário | 87 min | Eleito melhor filme pelo juri popular no 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2014, Sem Pena faz um retrato das prisões brasileiras por meio de depoimentos de detentos (e detentas), juízes, filósofos. Mas nenhum dos entrevistados aparece. Enquanto eles falam, são mostradas imagens do dia a dia nos presídios, fachadas de prédios públicos, desenhos artísticos e outras imagens que se relacionam direta ou indiretamente com o tema. O documentário vai à fundo em questões como a função da cadeia e as injustiças e falhas do sistema carcerário brasileiro.

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