Formando Plateias Para o Futuro

A Sétima Arte, o cinema,  teve importância fundamental na minha formação. De certa maneira moldou boa parte da minha visão de mundo, alimentou sonhos ainda na infância e adolescência, foi minha janela para o mundo exterior e a ponte que me ajudou a me tornar o que sou hoje.

Quando decidi criar uma mostra de cinema, a primeira coisa que pensei foi na importância da formação de plateia. Quando cursava História, vivia organizando e levando amigos, colegas do curso e do trabalho a museus, teatros, espaços de memória, ações culturais, etc. Acreditava e acredito que a arte em suas várias linguagens é fundamental para a formação pessoal e profissional do indivíduo e, mais que isso, é imprescindível para a prática da cidadania.

Como produtora cultural, sempre escuto falar sobre descentralização e democratização da cultura, apesar de saber que na prática pouco tem sido feito.

Basta observarmos o valor cobrado por ingressos subsidiados por recursos públicos – mas isso é outra história e eu não poderia deixar de dar minha contribuição para transformar essa realidade. Escolhi o Cinema para fazer isso.

Para que ações culturais sejam legítimas, há que haver público e não é qualquer público. Não se trata de quantidade e sim qualidade! Por isso a importância de levar iniciativas como a Mostra Internacional de Cinema “Nossa Terra” Cultura e Alimentação para o interior do estado de maneira gratuita. Isto é democratizar a cultura, tornando-a acessível a todos.

Identificar demandas reprimidas – neste caso, pouca ou nenhuma oferta de cinema na cidade ou região – e potenciais fruidores foram fundamentais para optar pela realização da mostra de cinema no interior do Paraná, contemplando assim o item descentralização.

E por que Bituruna?

  1. Porque a cidade possui relação orgânica com a mostra
  2. Porque ela não tem salas de cinema
  3. Porque ela tem menos de 50 mil habitantes. 

Penso que só esses argumentos já seriam suficientes para justificar tal escolha, mas ainda há outros fatores como:

  • Trazer visibilidade à cidade e seus arredores, tanto dentro do Paraná como fora dele
  • Valorizar a cultura da chamada Terra dos Pinheirais
  • Impactar socioeconomicamente a cidade
  • Envolver os atores locais em ações culturais e fomentar a vocação natural da cidade para o turismo de experiência com destaque para a produção alimentar local e a vitivinicultura, temas recorrentes nas produções cinematográficas selecionadas.

Mas para que o Cinema fosse para Bituruna eu precisava do principal, os filmes. E não faria um mostra qualquer! A cidade merecia e merece a experiência do cinema com bilheteria, pipoca, tela e som de qualidade, mas… e os filmes?

Bem, tendo cursado Gestão e Produção Cultural, não poderia me furtar das questões legais e éticas, onde incidem direitos autorais, de exibição, etc., itens que permeiam todos os setores criativos e nãos seria diferente com o setor do audiovisual. Mas, uma vez sem recursos, como faria para exibir os filmes?

Eu já vinha trabalhando na curadoria da mostra há tempos. Na verdade, desde 2014 pesquiso o segmento do chamado Food & Wine Films, o que resultou no blogue Cinema e Alimentação, e já tinha em mente o que gostaria de exibir para o público da encantadora Bituruna, que também conheci em 2014 quando levei uma exposição fotográfica para lá. Com a programação prévia em mente, fiz contato com os(as) diretores(as) dos filmes, que ao conhecerem a iniciativa liberaram de imediato suas produções

Agendei exibições e fiz contanto também com a equipe VIDEOCAMP, plataforma que conheci meses antes quando fui exibidora de um filme de temática alimentar na 2ª Feira Gastronômica de Cruz Machado (cidade vizinha a Bituruna). Na ocasião exibi “Comer O Quê?” de Leonardo Brant (Brasil, 2015) para um público para lá de especial: cerca de 230 mulheres do Programa Gênero e Geração, que busca desenvolver e fortalecer os empreendimentos solidários formados por mulheres, aumentando a participação destas nos processos de decisão e gestão e promovendo maior autonomia e equidade nas relações de gênero na cidade de Cruz Machado e região.

Desde de então, o VIDEOCAMP se tornou um grande aliado na concretização de iniciativas como a MIC “Nossa Terra”: Cultura e Alimentação, já que a plataforma disponibiliza em seu acervo produções nacionais e internacionais de relevância social, cultural e educacional.

Produções que, mais que levar entretenimento e propiciar uma experiência de cinema ao público, têm provocado reflexões importantes para a construção do pensamento crítico do espectador, somando-se a isso o importante exercício da fruição.

O mais difícil, porém, foi delimitar a programação da mostra (que exibiu 7 filmes em 2 dias), pois o VIDEOCAMP possui muitos filmes interessantes dentro da temática que trabalhei. Além de “Comer O Quê?” e “Fonte da Juventude”, exibidos em nossa Mostra, é possível se deliciar com muitos outros títulos a partir do filtro “alimentação.

Mas a boa notícia é que a Mostra, que aconteceu nos dias 14 e 15 de outubro deste ano, foi um sucesso de público e recebeu inclusive uma “Moção de Aplausos” concedida pela Câmara de Vereadores de Bituruna, cidade que já aguarda a próxima edição com entusiasmo.

Agradeço imensamente a importante contribuição do VIDEOCAMP não só para esta iniciativa, mas para tantas outras espalhadas pelo país. Mais do que acreditar na transformação, temos que lutar por ela com as armas que temos. Neste caso, o Cinema!

“Porque a gente não quer só comida!”.


Olha só o vídeo de agradecimento que a Meg nos enviou, falando sobre a importância de descentralizar a cultura e de plataformas como o VIDEOCAMP, que facilitam o contato entre realizadores, exibidores e público.

Quer exibir os mesmos filmes que a Meg escolheu?

Dá uma olhada nos trailers de “Comer O Quê?” e “Fonte da Juventude” e agende suas exibições clicando aqui e aqui.